quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

No Divã do Gikovate

  Nessa férias estou fazendo ótimas viagens...Viagens pelo litoral afora e para  também dentro de mim.

  Apesar que, para estar em contato comigo mesma, não preciso de pretextos, esse é um exercício diário pra mim.
  Bom, mas levei um livro muito interessante do Flavio Gikovate, conhecido psicanalista atual, e vou citar abaixo um trecho que me chamou bastante atençao:

''Os problemas de relacionamento tem se complicado ao longo das últimas décadas.
 Sim, porque existem inúmeros divórcios, que determinam complexas relações entre os filhos de relacionamentos anteriores e os novos parceiros de seus pais (e eventuais filhos desses parceiros, também frutos de relacionamentos  anteriores).
 No trabalho, as relações também  tem se tornado mais frouxas. Já é um fato:as pessoas trocam de emprego com uma frequência muito maior do que no passado, o que gera instabilidade e competição e estimula certos comportamentos desleais.
  Muita gente boa acaba sendo prejudicada, já que não raramente é vítima de pressões ou calúnias de egoístas, competentes tão somente em defender com unhas e dentes seus direitos e em tentar se aproporiar daquilo que não lhes pertence. A cultura continua a enaltecer a generosidade como uma grande virtude, o que incensa a vaidade de muitios desses que se deixam abusar pelos mais espertos.
  Nesse mundo dividido entre generosos e egoístas, reforça-se a vocação para a dependencia, que pode ser dupla: entre pessoas ou por drogas.
  Em outras palavras, nossa sociedade não estimula em nada a independência de cada um de nós.
  Critica o uso de drogas, mas estimula as condições emocionais para que sejam mais e mais procuradas.
  Não espanta, pois, que os resultados obtidos até agora no combate à dependencia quimica tenham sido ínfimos.''

  Diante disso, me veio as questões: Porque somos tão dependentes de algo ou alguém? 
  Poxa, para ter solidez nas ligações afetivas de nossas vidas, temos que viver homogeneamente?
  E nossa individualidade, nossos gostos, nossos desejos, nossas experiências (que são só nossas e ninguém pode viver por nós), onde ficam? 
  Em prol de um sistema que funcione em nossa sociedade, temos que abrir mão de nosso intimo?
  Enfim, não faço apologia ao egoísmo, jamais! Pra mim, vida é troca, é acrescentar algo bom na vida de outrem, mas o que sinto em nossa sociedade é algo doentio...
  É posse entre as pessoas, é manipulação, é chantagem emocional, é uma dependência exacerbada.
  Relacionamentos de mães e filhos, país e filhos, homem e mulher e entre amigos, que parecem mais uma grande fogueira das vaidades.
  Queridos amigos, amar é acrescentar,  é ajudar,  é poder contar nas horas de dificuldade, é rir e chorar juntos, mas o principal: amar é permitir que o outro seja quem ele quer ser e se amar é ser quem se é.
  O resto é jogo de interesses.

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