quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mestre, o que eu quero?

Se você não conhece a si mesmo, você está vivendo na inconsciência, e uma vida de inconsciência só pode ser uma vida de equívocos. Você pode ouvir Buda, você pode me ouvir, você pode ouvir Jesus, mas você interpretará de acordo com a sua própria inconsciência – você interpretará mal.


Você me pergunta, ‘O que eu quero?’ Eu é que devo lhe perguntar, ao invés de você me perguntar, porque depende de onde você está. Se você estiver identificado com o corpo, então o seu querer será diferente; então comida e sexo serão suas únicas vontades, seus únicos desejos. Esses são dois desejos animais, os mais baixos. Eu não os estou condenando ao chamá-los de mais baixos, eu não os estou avaliando. Lembre-se, eu estou apenas afirmando um fato: o mais baixo degrau da escada. Mas se você estiver identificado com a mente, os seus desejos serão diferentes: música, dança, poesia, e depois existem mil coisas.

O corpo é muito limitado; ele tem uma polaridade simples: comida e sexo. Ele se move como um pêndulo entre esses dois, comida e sexo, nada mais existe para ele. Mas se você está identificado com a mente, então ela tem muitas dimensões. Você pode estar interessado em filosofia, em ciência, em religião – você pode estar interessado em muitas coisas que consegue imaginar.

Se você estiver identificado com o coração, então os seus desejos serão de uma natureza ainda mais elevada, mais do que a mente. Você se tornará mais estético, mais sensitivo, mais alerta, mais amoroso.

A mente é agressiva, o coração é receptivo.
A mente é lógica, o coração é amor.

Assim, depende de onde você está ligado: no corpo, na mente ou no coração. Esses são os três mais importantes locais nos quais a pessoa pode funcionar. Mas também existe um quarto local em você; no oriente ele é chamado de turya. Turya simplesmente significa o quarto, o transcendental. Se você está consciente de sua transcendentalidade, então todos os desejos desaparecem. Então a pessoa apenas é, sem qualquer desejo, sem nada para ser pedido, para ser atendido. Não existe futuro ou passado. Então a pessoa vive neste momento completamente satisfeita, realizada. No quarto, o seu lótus de mil-pétalas desabrocha; você se torna divino.

Você está perguntando, ‘O que eu quero?’ Isso simplesmente mostra que você nem mesmo sabe onde está, onde você está ligado. Você terá que investigar dentro de si mesmo – e isso não é muito difícil. Se é comida e sexo que toma a maior parte de você, então eli é onde você está identificado; se é algo que diz respeito ao pensar, então é a mente; se diz respeito a sentimentos, então é o coração. E, naturalmente, não pode ser o quarto; senão a pergunta nunca teria surgido.

Assim, ao invés de responder a você, eu gostaria de lhe perguntar onde você está. Investigue.

Investigue, olhe para o lugar exato onde você está. No que me diz respeito, todo desejo é completo desperdício, todo querer é errado. Mas se você está identificado com o corpo, eu não posso dizer isso para você, porque isso estará muito longe do seu alcance. Se você está identificado com o corpo, eu lhe direi, mude um pouco para desejos mais elevados, os desejos da mente, e depois um pouco mais alto, para os desejos do coração, e depois finalmente ao estado sem desejos.

Desejo algum jamais será satisfeito. Esta é a diferença entre a abordagem científica e a abordagem religiosa. A ciência tenta satisfazer os seus desejos e, naturalmente, a ciência tem sido bem sucedida ao fazer muitas coisas, mas o homem permanece na mesma miséria. A religião tenta acordá-lo para a grande compreensão para que você possa ver que todos os desejos intrinsecamente não conseguem ser satisfeitos.

É preciso ir além de todos os desejos e somente assim haverá contentamento. Contentamento não é o fim de um desejo, contentamento não é a satisfação do desejo; porque o desejo não pode ser satisfeito. Com o tempo, quando você chegar à satisfação do seu desejo, irá descobrir que mil e um outros desejos surgiram. Cada desejo se ramifica em muitos desejos novos. E isso acontecerá repetidas vezes e toda a sua vida será desperdiçada.

Aqueles que sabem, aqueles que vêem – os budas, os despertos – todos concordam em um ponto. Isso não é uma coisa filosófica, é factual, o fato do mundo mais interior: o contentamento acontece quando todos os desejos tiverem sido abandonados. É com a ausência de desejos que o contentamento surge dentro de você. – na ausência. Na verdade, a própria falta de desejos é contentamento, é preenchimento, é gozo, é florescimento.

Krishna, mova-se dos desejos mais baixos para os desejos mais elevados, dos desejos brutos para os desejos mais sutis, e depois para o mais sutil, porque é fácil o pulo do mais sutil para o não-desejo, para o estado sem desejo. O estado sem desejo é nirvana.

Nirvana tem dois significados. É uma das mais belas palavras; idioma algum pode orgulhar-se dessa palavra. Ela tem dois significados, mas esses dois significados são como dois lados de uma mesma moeda. Um significado é a cessação do ego e o outro significado é a cessação de todos os desejos. Isso acontece simultaneamente. O ego e os desejos estão intrinsecamente juntos, eles estão inseparavelmente juntos. No momento em que o ego morre, os desejos desaparecem, ou vice-versa: no momento em que os desejos são transcendidos, o ego é transcendido. E ser sem desejos, ser sem ego, é conhecer a felicidade suprema, é conhecer o êxtase eterno.

Sannyas é isso: a busca pelo êxtase eterno, a qual começa mas nunca termina.

Um comentário:

  1. I want you and nothing else, it's the only thing that makes me really happy...i'm waiting for you..my sweet angel and my sweet devil!

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